A edição de Agosto de 2004, da "Revista Internacional de Espiritismo", publicou um trabalho de Orson Peter Carrara, sob o título "Saddam no divã".
Refere-se,ali, um perfil psicológico de alguns líderes mundias, elaborado pelo psiquiatra Jerrold M. Post, fundador do "Centro de Análise de Personalidade e Comportamento Político". No seu livro " Leaders ant Their Followers in a Dangerous World", diz- nos ser Saddam Hussein o mais traumático de todos os líderes políticos que perfilou. E justifica-o: “É o caso clássico de uma pessoa com o ‘eu machucado’, que poderia ter sido um adulto inseguro e ineficaz, mas que em vez disso tomou o caminho do narcisismo maligno. O ‘eu machucado’ vem de sua infância, que é diferente de todos os líderes que eu já perfilei. Aos quatro meses da gravidez de Saddam, sua mãe perdeu o marido; poucos meses depois, o filho mais velho morreu na mesa de operações, vítima de câncer. Ela então tentou fazer um aborto, malsucedido, e tentou se matar. Quando Saddam nasceu, tentou matá-lo. E isso é só o começo.”
Importa-nos, através deste exemplo, analisar, sob a óptica espírita, nos crimes diários acontecem no planeta, com requintes de perversidade, crueldade, chocando a opinião pública e a sensibilidade de todos nós.
São histórias de vidas que nem conhecemos. Voltando ao exemplo de Saddam, Kofi Annan escreveu, acerca do contacto pessoal que tiveram:"A aparência de Saddam Hussein era a de um homem comum. Tinha fala mansa, calma, lenta. Quase não gesticulava enquanto falava. Nada em sua fisionomia ou comportamento delatava suas idéias. Uma vez, durante um encontro, comecei a pensar como pôde um homem daqueles fazer tanta crueldade contra seu próprio povo...”
Façamos uma reflexão, sem julgamentos.
O ESE convoca-nos à indulgência, à Caridade para com os criminosos, ao invés de condenarmos alguém que se equivocou com o crime, julgando-o um miserável, merecedor de ser expulso do planeta com a morte, sugerindo-nos que pensemos qual seria a posição de Jesus, se visse junto a si um destes infelizes.
Conhecemos muitas as pessoas com o “eu machucado”, à nossa volta. Traumas, dificuldades, complexos, inibições, mágoas e causas outras de origem emocional e psicológica, dificultam as potencialidades sendo, não raras vezes, causadoras das grandes tragédias individuais ou colectivas.
Deste modo, como entendemos a recomendação do ESE, ao lembrar-nos do nosso dever de solidariedade recíproca que deve existir nos relacionamentos, para amenizar as aflições humanas, bem como dizer não ao seu agravamento?
AFLIÇÕES HUMANAS

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